Petrobras atrai pequeno fornecedor de SC

A criação da Unidade de Operações e Exploração e Produção do Sul (UO-SUL) da Petrobras, em Itajaí, lançou uma nova perspectiva de negócios para a cadeia local de empresas credenciadas à estatal.

Durante um evento na semana passada, a Petrobras levou cinco das suas unidades de compras para conversar com empresários interessados em fazer o credenciamento e conhecer os pré-requisitos para fechar contratos com a estatal. No evento, a Petrobras também assinou um convênio com o Sebrae/SC para inserir micro e pequenas empresas na cadeia produtiva catarinense de petróleo, gás natural e energia.

A Petrobras não detalha que tipo de equipamento ou serviço vai precisar na nova unidade, inaugurada em julho. A unidade vai gerenciar os testes de longa duração que começaram em abril nos campos de Tiro e Sídon. Na previsão inicial, a Petrobras esperava produzir 10 mil barris de petróleo por dia, mas os testes já têm alcançando médias de 17 barris diários.

A Radionaval Eletrônica, que atua no segmento de equipamentos eletrônicos marítimos, é certificada para fornecer à estatal há cerca de um ano. Apesar disso, não conseguiu disputar nenhum edital. "A gente acompanha, mas acha os critérios muito genéricos", diz Adriana da Luz, gerente da empresa.

O contato com a Petrobras no evento, em Itajaí, gerou a expectativa de entender melhor o processo de contratação da estatal. "Nosso objetivo é prestar serviços na área de manutenção dos equipamentos", explica. Adriana diz que é preciso muito investimento em treinamento para conseguir uma equipe com capacidade para prestar o serviço de manutenção no setor. "O que mantém a empresa neste mercado não é o equipamento, mas o pós-venda", afirma. Hoje, ela desloca a equipe para atender clientes do Nordeste ao Sul do país.

Mesmo quem já conquistou algum contrato de fornecimento com a Petrobras tem perspectiva de ampliar os negócios. Há seis anos, a Arxo fornece tanques para combustíveis para a BR, distribuidora de combustíveis. De acordo com Cidemar Dalla Zen, gerente comercial da Arxo, o crescimento da empresa está ligado à parceria de fornecimento com a companhia de petróleo. Dalla Zen conta que o processo de credenciamento da estatal é complexo, mas atender as exigências da Petrobras capacita sua empresa a atuar com destaque no mercado.

Em outros momentos, cerca de 50% do faturamento da Arxo estava atrelado a contratos com a Petrobras. Hoje, o percentual fica em torno de 15%. O gerente comercial diz que há uma grande expectativa com o começo das operações da UO-SUL. "Estamos habilitados e com grande capacidade instalada para atender a demanda", diz.

Além da matriz, em Balneário Piçarras, a Arxo possui uma fábrica em Recife de tanques subterrâneos dupla parede. Até 2012, a intenção é dobrar o tamanho da capacidade de produção, passando de 14 mil m2 de área construída para 28 mil m2. Além de tanques para combustíveis, a Arxo faz projetos personalizados de tanques para armazenagem de fluidos para indústrias.

A Gamper Náutica, de São Francisco do Sul, fabrica embarcações de hypalom neoprene, um material inflável e semi-flexível. O projeto da empresa começou em 2007 e, no ano passado, a fabricação das embarcações teve início. As unidades variam de 2 a 14 metros. O modelo de 4,5 metros custa a partir de R$ 16 mil. Nilson Gamper, diretor administrativo, diz que a escolha pelo tipo de material considerou a possibilidade de atender clientes de lazer e de trabalho.

A unidade da Gamper, em São Francisco do Sul, tem capacidade para fabricar até seis embarcações de 4,5 metros por mês. Até o fim do ano, a empresa deve produzir cerca de 250 unidades. Ela já é credenciada da Petrobras e está em perspectiva de fechar contrato de reforma de uma embarcação que já pertence à estatal. Com o início das operações da UO-SUL, Gamper espera ampliar a linha e começar a fabricar barreiras de contenção de petróleo. Segundo o executivo, a empresa já detém a tecnologia do equipamento que também é inflável. "Queremos apresentar o material para a Petrobras para produzir sob demanda."

Fonte: Valor Econômico/ Júlia Pitthan, de Itajaí

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