Rio de Janeiro (RJ) - Depois de três dias com muita repercussão, os petroleiros ganharam um novo fôlego no fim da tarde dessa sexta (13) com a chegada dos aposentados de Angra dos Reis. Num sistema de revezamento, os trabalhadores da Petrobrás seguem acorrentados em frente ao Edifício Sede da empresa (Edise). O Sindicato dos Petroleiros do Rio Janeiro iniciou o protesto por não aceitar a proposta indecorosa de reajuste apresentada pela companhia, que além de ser muito rebaixada para uma empresa do porte da Petrobrás, não repassa aos aposentados os ganhos do pessoal da ativa.
Os petroleiros do Rio de Janeiro, reconhecidos pela liderança na campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso, vivenciam um momento de crescimento do ato da “Corrente da Justiça”. Esse é o nome dado ao protesto iniciado na última quarta (11). Não param de brotar mensagens de apoio na internet. Na tarde dessa sexta, representativa manifestação de apoio ao movimento contou com a presença de muitos trabalhadores, movimentos sociais, organizações estudantis e do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ). Na quinta, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ) já havia prestigiado.
A Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) também empenhou todo seu apoio ao movimento. O presidente licenciado da AEPET, Fernando Siqueira, informou ter entregue três cartas à direção da companhia denunciando a defasagem dos salários pagos aos seus trabalhadores.
- Os funcionários da Petrobrás estão ganhando muito abaixo do mercado. Isso é um problema sério para todo o povo brasileiro, pois a nossa estatal forma trabalhadores qualificados que depois são levados pelas multinacionais que pagam melhor. Essa cobiça sobre a inteligência nacional vai aumentar com o avançar da exploração sobre o pré-sal. Por isso, apóio integralmente a mobilização da “Corrente da Justiça” – explica Siqueira.
As demonstrações de apoio aos acorrentados na Petrobrás só aumentam. No fim da tarde dessa sexta, foi a vez da Federação Nacional das Associações de Aposentados, Pensionistas e Anistiados do Sistema Petrobrás e Petros (FENASPE) e da Associação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionista da Petrobrás (ASTAPE-RJ). Presidente das duas associações de aposentados petroleiros, Adelino Chavez elogiou profundamente a iniciativa da direção do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro.
- Saudamos com muito orgulho a luta dos companheiros do Sindipetro-RJ em defesa dos petroleiros da ativa e dos aposentados, além dos anistiados políticos do Sistema Petrobrás. Enquanto isso, a direção da empresa sonega os direitos dos trabalhadores. Convocamos todos a se juntarem à luta dos que se acorrentam em nossa defesa – conclama Adelino.
Ato dos acorrentados ganha reforço
Ao longo da semana, novos petroleiros se somaram no revezamento das correntes em frente ao Edise. A idéia da direção do Sindipetro-RJ é sempre manter, ao menos, quatro trabalhadores acorrentados. Por volta das 17 horas dessa sexta, chegaram os aposentados de Angra que permanecerão ao longo desse fim de semana presos às grades da Petrobrás.
Jorge Rosa, diretor do sindicato, junto com os militantes da base Reni Luiz, Arlindo dos Santos e Luiz Carlos de Lima abdicaram do fim de semana com as famílias para fortalecer a “Corrente da Justiça”. Os bravos relatos de adesão ao movimento chamam a atenção.
- Eu nunca gostei muito de participar dessas coisas de sindicato. Achava que não adiantava nada. Depois é que comecei a ver a importância da mobilização. Isso que a Petrobrás está fazendo com a gente é um absurdo. Eu pisei na lama. Trabalhei em escritório de madeira na fundação do Terminal Marítimo da Baía de Ilha Grande (hoje, Transpetro de Angra). Agora é um baita prédio bonito. Aí eles se esquecem de nós aposentados que ajudamos a erguer a empresa – conta Reni. O petroleiro ainda faz questão de lembrar a campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso: “também estamos aqui para lutar contra a privatização do nosso petróleo. As multinacionais estão levando tudo! Quero que meus netos possam ter orgulho de dizer que seu avô lutou pelo nosso Brasil.”
A direção do Sindipetro-RJ destaca que a ocupação dos acorrentados segue por tempo indeterminado até que a gerência da Petrobrás apresente uma proposta de acordo salarial digno e sem discriminação.
Confira a pauta completa de reivindicações dos petroleiros e acompanhe as novidades da ocupação pela página Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br).
Fonte: Agência Petroleira de Notícias do Sindipetro-RJ







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