RISCO EM QUALQUER PROFUNDIDADE

Um das verdades mais solidificadas no setor de petróleo nos últimos anos e, por conta do desenvolvimento das atividades no pré-sal, mais comentadas entre especialistas, recebeu uma contestação recentemente, no mínimo, interessante. No último dia 26, no Jornal do Commercio, o gerente do escritório de licenciamento do Ibama no Rio de Janeiro, Edmilson Maturana, defendeu que a exploração em águas rasas oferece mais riscos do que as ações realizadas em águas profundas.

De acordo com Edmilson, o Ibama têm estudado áreas costeiras há bastante tempo, com mais cuidado, e até mesmo negando licenças para novos blocos que poderiam ser ofertados pela Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis (ANP). Segundo o especialista, a justificativa para a cautela e preocupação maior com a exploração em águas rasas – quando todo o setor se mobiliza contra acidentes em maiores profundidades – está no fato de que perto da costa, os impactos de um possível vazamento seriam mais rápidos e diretos, principalmente no turismo e na pesca.

No caso das atividades em águas profundas, como no pré-sal, ambientalistas estimam que correntes marítimas se encarregariam de dispersar o óleo, levando-o para longe da costa. Nota-se, portanto que a visão de Edmilson envereda pelo viés dos riscos ambientais. Entretanto, se analisado pelo lado da exploração em si, fica claro que as maiores profundidades apresentam desafios mais complexos e, consequentemente, mais perigo. É o que explica Osvaldo Queiroga, geofísico e coordenador do curso de Engenharia de Petróleo da Estácio, além de assessor técnico da Superintendência de Petróleo e Energia de Campos. “Quanto mais rasa for a lâmina de água menor é o risco”, simplifica o especialista.

Em entrevista ao Nicomex Notícias, Osvaldo ressalta que são inúmeras as variantes que influenciam na exploração em águas profundas. “À medida que a lâmina cresce, estaremos nos afastando da costa e consequentemente as dificuldades aumentam (maior número de horas a serem voadas pelos helicópteros, maiores dificuldades da logística (suprimentos, peças, etc.). O mar é mais revolto e as complicações operacionais com a sonda crescem signicativamente, em função do aumento da pressão da água na coluna de perfuração e produção, e nos dutos produtores”, afirma.

De acordo com o coordenador, a indústria de petróleo e gás denomina informalmente a exploração no mar em função da profundidade da lâmina de água. Sendo assim, é considerada exploração de águas rasas, lâminas de 0 a 400 metros, águas profundas de 400 a 2000 metros e ultra-profundas acima de 2000 metros. “Em águas rasas podemos utilizar plataformas fixas que são mais seguras e em águas profundas, as unidades devem ser navios ou plataformas semi-submersíveis de posicionamento dinâmico”, explica Osvaldo, comparando a complexidade dos dois tipos de atividades petrolíferas.

Por Matheus Franco
matheus.f@nicomexnoticias.com.br

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