Após duas semanas de negociação, finalmente, o governo e a Petrobras fixaram em US$ 8,51 o valor médio do barril de petróleo que a União irá se basear para a definição da capitalização da estatal, prevista para ocorrer no dia 30 de setembro. A capitalização será feita por meio da cessão onerosa, na qual o governo poderá ceder à Petrobras até 5 bilhões de barris de petróleo em áreas ainda não concedidas, o equivalente a R$ 72 bilhões (US$ 42,533 bilhões), conforme anunciou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Segundo o ministro, os barris que serão transferidos pela União virão de seis campos do pré-sal. O maior volume, cerca de 3,1 bilhões de barris, será extraído de Franco, na Bacia de Santos. Além dele, a Petrobras poderá explorar os campos de Tupi Sul, Florim, Tupi Nordeste, Guará e Iara. O governo ainda deixou o campo de Peroba como uma reserva adicional, que a Petrobras poderá usar caso não consiga extrair dos seis campos iniciais os 5 bilhões de barris previstos na operação.
A definição desse valor não agradou os acionistas minoritários que desejavam um preço na casa dos US$ 6. "O preço é atraente para o governo, mas não para o minoritário", avaliou o gestor Lionel Bernard, da Amundi, administradora de recursos do Crédit Agricole e Societé Generale em Paris. O gestor do fundo britânico F&C, Urban Larson, disse que o valor é "alto, mas poderia ter sido pior". "Vamos olhar a oferta com carinho porque há poucas petroleiras no mundo com o potencial da Petrobras, mas é preciso ser exigente sobre a precificação da ação", afirmou o executivo em matéria no jornal Estado de São Paulo.
O Diretor de Geologia do DRM-RJ, Francisco Dourado, explica em entrevista ao Nicomex Notícias, que se o preço fixado fosse muito baixo, o Governo Federal estaria "entregando" o Pré-Sal e quem perderia com isso seria a nação. Por outro lado, se o valor ficasse muito alto, poderia, no futuro, se tornar um prejuízo à Petrobras, aí quem perderia seriam os acionistas. “O que poderia ter sido acordado, seria um preço base que poderia ser ajustado para mais, caso novos estudos mostrassem que o valor do barril do Pré-Sal em "reserva" fosse maior, em função da redução do custo de extração desse óleo” – disse Dourado, acrescentando que se a operação fosse realizada desta forma funcionaria como uma “salva-guarda”.
Gabrielli: preço será revisto em 4 anos
Com o intuito de se defender das críticas de que o preço médio fixado para o barril está alto, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou em conferências por telefone com analistas de mercado internacionais e brasileiros, que o valores serão revistos dentro de quatro anos. No mercado mundial, a compra e a venda de reservas no subsolo são negociadas a um preço médio entre US$ 5 e US$ 6 por barril.
Por Beatriz Silva
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