Os números finais da capitalização da Petrobras comprovam o que se dizia no mercado quando a alocação da oferta estava sendo feita, no fim do mês passado. O aumento da participação do governo no capital da companhia se deveu principalmente à diluição do investidor estrangeiro, embora o minoritário local também tenha perdido espaço. A estatal publicou ontem o anúncio de encerramento da oferta, bem antes do limite máximo, que era março de 2011.
Enquanto a União como um todo ampliou sua fatia no capital total de 39,8% para 48,3%, a parcela detida pelos estrangeiros no total de ações recuou de 37,4% para 31,8%, o que representa uma queda de 15,0%.
Entre os motivos para essa diluição está o fato de que o investidor externo ficou praticamente fora da oferta prioritária, destinada aos antigos acionistas, que somou R$ 84,94 bilhões. Para entrar nessa operação, os estrangeiros tinham que converter os recibos de ações (ADRs) nos papéis que os lastreiam no mercado local, e trazer os recursos para comprar mais ações. Porém, o custo embutido nessa operação, com destaque para o pagamento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), se aproximava de quase 4%, o que tirava atratividade da operação.
Outra avaliação do mercado é que a presença não tão forte do estrangeiro se explica pelo seu próprio posicionamento negativo em relação ao papel durante todo o processo de capitalização. Entre dezembro de 2009 e agosto de 2010, os investidores externos já tinham reduzido a fatia no capital total de 38,8% para 37,4%.
Assim, segundo um gestor de fundos que preferiu não ser identificado, ainda que as críticas dos estrangeiros em relação a operação possam ser entendidas, dada a maneira como a operação foi estruturada, com o governo entrando com barris e os minoritários com dinheiro, a diluição acabou sendo uma consequência do próprio posicionamento deles.
O fato é que a conclusão bem-sucedida da oferta, em conjunto com o aumento do peso das ações da Petrobras em índices importantes para os estrangeiros, como o MSCI, obrigou muitos gestores a comprar os papéis no mercado na última semana.
No pregão de ontem, os papéis da estatal tiveram leve baixa, com a ação ordinária, que dá direito a voto, cotada a R$ 30,56 e o papel preferencial, sem voto, encerrando a R$ 27,38. Quem comprou os papéis na oferta acumula um ganho de 3,07% com a ON e de 4,11% com a preferencial.
Sem contar os motivos técnicos para justificar a procura pelos papéis da Petrobras mesmo após a emissão de 4,27 bilhões de ações, os especialistas citam ainda negócios ligados ao mercado de petróleo e gás no Brasil.
Na visão de analistas, o preço acertado na venda de parte do capital da Repsol para a chinesa Sinopec seria uma indício de que o valor pago pela Petrobras pelos 5 bilhões de barris não seria tão caro como parecia. Nas próximas semanas, há a expectativa de que a OGX feche a venda de parte dos direitos de exploração de barris de seus campos a outra empresa.
Voltando aos dados de ontem da Petrobras, a participação dos investidores brasileiros de forma agregada, incluindo institucionais locais, pequenos aplicadores e investidores que detêm ações indiretamente via fundos do FGTS, caiu de 22,8% para 19,9% do capital total. A redução foi de 12,7%.
Do total de R$ 120,25 bilhões da oferta, a União comprou cerca de R$ 80 bilhões, o que equivale a 66,5% do total vendido. Os investidores estrangeiros investiram R$ 17,22 bilhões na compra de recibos de ações (ADRs) diretamente no exterior e mais R$ 6,89 bilhões na oferta brasileira, totalizando R$ 24,11 bilhões.
E esse volume só foi atingido porque 75% do lote suplementar, de R$ 5,20 bilhões, foi comprados por investidores externos.
Dentro dos R$ 17,22 bilhões da oferta em ADRs, R$ 2,47 bilhões referem-se a pequenos investidores que entraram na oferta nos EUA.
Olhando para a demanda brasileira, o pequeno investidor aplicou R$ 3,37 bilhões na oferta, sendo R$ 1,67 bilhão na parcela prioritária e R$ 1,70 bilhão na distribuição aberta ao publico.
Os fundos de investimento brasileiros como um todo aportaram R$ 7,25 bilhões na capitalização da estatal. Somando-se a isso, os fundos de pensão e outras entidades de previdência privada aplicaram R$ 4,53 bilhões.
Fonte: Valor Econômico/Fernando Torres e Graziella Valenti | De São Paulo
Enquanto a União como um todo ampliou sua fatia no capital total de 39,8% para 48,3%, a parcela detida pelos estrangeiros no total de ações recuou de 37,4% para 31,8%, o que representa uma queda de 15,0%.
Entre os motivos para essa diluição está o fato de que o investidor externo ficou praticamente fora da oferta prioritária, destinada aos antigos acionistas, que somou R$ 84,94 bilhões. Para entrar nessa operação, os estrangeiros tinham que converter os recibos de ações (ADRs) nos papéis que os lastreiam no mercado local, e trazer os recursos para comprar mais ações. Porém, o custo embutido nessa operação, com destaque para o pagamento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), se aproximava de quase 4%, o que tirava atratividade da operação.
Outra avaliação do mercado é que a presença não tão forte do estrangeiro se explica pelo seu próprio posicionamento negativo em relação ao papel durante todo o processo de capitalização. Entre dezembro de 2009 e agosto de 2010, os investidores externos já tinham reduzido a fatia no capital total de 38,8% para 37,4%.
Assim, segundo um gestor de fundos que preferiu não ser identificado, ainda que as críticas dos estrangeiros em relação a operação possam ser entendidas, dada a maneira como a operação foi estruturada, com o governo entrando com barris e os minoritários com dinheiro, a diluição acabou sendo uma consequência do próprio posicionamento deles.
O fato é que a conclusão bem-sucedida da oferta, em conjunto com o aumento do peso das ações da Petrobras em índices importantes para os estrangeiros, como o MSCI, obrigou muitos gestores a comprar os papéis no mercado na última semana.
No pregão de ontem, os papéis da estatal tiveram leve baixa, com a ação ordinária, que dá direito a voto, cotada a R$ 30,56 e o papel preferencial, sem voto, encerrando a R$ 27,38. Quem comprou os papéis na oferta acumula um ganho de 3,07% com a ON e de 4,11% com a preferencial.
Sem contar os motivos técnicos para justificar a procura pelos papéis da Petrobras mesmo após a emissão de 4,27 bilhões de ações, os especialistas citam ainda negócios ligados ao mercado de petróleo e gás no Brasil.
Na visão de analistas, o preço acertado na venda de parte do capital da Repsol para a chinesa Sinopec seria uma indício de que o valor pago pela Petrobras pelos 5 bilhões de barris não seria tão caro como parecia. Nas próximas semanas, há a expectativa de que a OGX feche a venda de parte dos direitos de exploração de barris de seus campos a outra empresa.
Voltando aos dados de ontem da Petrobras, a participação dos investidores brasileiros de forma agregada, incluindo institucionais locais, pequenos aplicadores e investidores que detêm ações indiretamente via fundos do FGTS, caiu de 22,8% para 19,9% do capital total. A redução foi de 12,7%.
Do total de R$ 120,25 bilhões da oferta, a União comprou cerca de R$ 80 bilhões, o que equivale a 66,5% do total vendido. Os investidores estrangeiros investiram R$ 17,22 bilhões na compra de recibos de ações (ADRs) diretamente no exterior e mais R$ 6,89 bilhões na oferta brasileira, totalizando R$ 24,11 bilhões.
E esse volume só foi atingido porque 75% do lote suplementar, de R$ 5,20 bilhões, foi comprados por investidores externos.
Dentro dos R$ 17,22 bilhões da oferta em ADRs, R$ 2,47 bilhões referem-se a pequenos investidores que entraram na oferta nos EUA.
Olhando para a demanda brasileira, o pequeno investidor aplicou R$ 3,37 bilhões na oferta, sendo R$ 1,67 bilhão na parcela prioritária e R$ 1,70 bilhão na distribuição aberta ao publico.
Os fundos de investimento brasileiros como um todo aportaram R$ 7,25 bilhões na capitalização da estatal. Somando-se a isso, os fundos de pensão e outras entidades de previdência privada aplicaram R$ 4,53 bilhões.
Fonte: Valor Econômico/Fernando Torres e Graziella Valenti | De São Paulo







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