Nos primeiros nove meses deste ano, o Brasil gastou US$ 11,1 bilhões na compra de derivados de petróleo, valor 48% superior ao gasto na compra de petróleo em bruto. Essa inversão de gastos ocorreu em 2010. No ano passado, em igual período, as importações de petróleo somaram US$ 6,4 bilhões, valor 18% superior ao gasto em derivados. A demanda interna aquecida fez aumentar a compra de óleos combustíveis (diesel entre eles), nafta, gás liquefeito de petróleo (GLP) e gasolina, entre outros.
De janeiro a setembro, a importação de óleos combustíveis somou US$ 3,1 bilhões, três vezes mais que os US$ 801 milhões gastos em 2009; em nafta, foram desembolsados US$ 2,5 bilhões este ano - 130% mais que em 2009.
No conjunto, as importações somaram US$ 17,740 bilhões em setembro deste ano, valor que superou o resultado de agosto de 2008, de US$ 17,44 bilhões, recorde anterior. Na avaliação do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Welber Barral, esse resultado está relacionado ao forte crescimento deste ano.
Segundo Barral, os fatores que explicam a alta das importações, além de razões sazonais, são o mercado interno aquecido, o câmbio - que torna as importações ainda mais baratas - e a alta das exportações. "Quando há um aumento das vendas para o exterior, também há um aumento de importação de insumos, que são 50% das importações", explicou.
As compras para o Natal também produziram em setembro um impacto para a alta das importações. "Em geral, para a formação de estoques, essas compras são concentradas nos meses de agosto e setembro. Em outubro, há uma redução", aponta o secretário.
No ano, há um avanço de 64,2% nas importações de automóveis, que responde por quase metade das importações de bens de consumo duráveis. Em setembro, na comparação com igual mês de 2009, também houve forte avanço nas importações de bens de capital (máquinas e equipamentos), de 50,5%. "Há impacto direto dos investimentos estrangeiros que entram no país", explica Barral
Pelo lado das exportações, o mês passado atingiu o segundo melhor resultado da história para meses de setembro. Segundo Barral, é importante ressaltar que as exportações para todas as regiões apresentam alta em relação ao acumulado de janeiro a setembro do ano passado.
"Houve recuperação das exportações também para o mercado africano", informou Barral. Segundo o secretário, o crescimento das vendas para o continente é importante pela diversificação dos produtos exportados, como açúcar, carne, milho, veículos e bens de capital.
A balança comercial brasileira encerrou o mês de setembro com um superavit de US$ 1,093 bilhão, resultado de exportações de US$ 18,8 bilhões menos importações em um montante de US$ 17,7 bilhões. Em setembro, mês com 21 dias úteis, o saldo positivo da balança comercial teve média diária de US$ 52 milhões. Esse resultado representa uma queda de 53,1% na comparação com agosto e uma retração de 16,5% na comparação com igual mês do ano passado.
No ano até setembro, a balança comercial acumula superávit de US$ 12,7 bilhões (média diária de US$ 68 milhões), resultado de exportações de US$ 144,9 bilhões menos importações de US$ 132,1 bilhões. (Com Folhapress, de Brasília)
Fonte: valor Econômico/Denise Neumann | De São Paulo







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