A dinâmica de mercado exige que todos planejem suas carreiras, tanto o mais experiente quanto o mais novato. No entanto, esta visão de planejamento de carreira deverá ser desenvolvida antes mesmo de iniciá-la. Preocupado com o tema, venho propor algumas reflexões a respeito do que é um planejamento de carreira e orientar os jovens universitários a exercitar este assunto, comum aos executivos, dentro do berço acadêmico antes que seja tarde.
Ao ingressar num curso superior, a maioria dos jovens acumula uma grande expectativa para iniciar a carreira profissional e são somente nos últimos semestres, quando se dão conta de que não têm experiência e que a concorrência para um estágio é muito acirrada. Agravando ainda mais a situação, atualmente é comum solicitar experiência anterior para conquistar uma vaga de estagiário, perdendo assim a idéia original de que o estágio é a oportunidade de aplicar pela primeira vez o que se estudou nas salas de aula.
Neste momento, muitos jovens universitários sentem a obrigação de estar correndo atrás de cursos complementares, certificações e demais recursos para diferenciar seus currículos. Normalmente, fazem cursos de acordo com o que está na moda no mercado ou acompanhando seus colegas. Com isso, perdem a visão de planejamento de carreira a longo prazo. Porém, o pior ainda está por vir - conseguir um emprego é muito mais complicado. A exigência de experiência torna a vida dos formandos um pesadelo. Aqueles que não conseguem vagas nos programas de trainees, caso da grande maioria, devem agora enfrentar o mercado de trabalho com profissionais de 1 a 3 anos de experiência. Assim é natural que as vagas oferecidas solicitem experiência de pelo menos 2 anos em uma área específica da profissão.
Vejo neste momento um GAP de experiência versus oportunidade que é alarmante. Quantos universitários acabam não exercendo as suas respectivas profissões? Pesquisas indicam que este número pode atingir 70% dos formandos. Hoje, há uma mobilização do governo com o projeto de primeiro emprego aos jovens com menos anos de estudo, nitidamente reforçando que o grau de escolaridade passou a ser um pré-requisito commoditizado e que agora os diferencias devem surgir de outras fontes de experiência. Analisando dados do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada), o nível de ocupação de empregos nas regiões metropolitanas equiparou o número de trabalhadores com mais de 12 anos de estudo com os de até 4 anos. Há mais de dez anos, esta proporção era de 1 para 3, respectivamente.
Há uma expansão nítida na necessidade de se ter mais especialistas no mercado, principalmente capazes de transformar seus conhecimentos nos diferenciais competitivos que o mercado exige. Desta forma, os candidatos a enfrentar o mercado de trabalho devem passar por mais uma decisão precoce, como na escolha do curso superior que deseja cursar, para decidir qual especialidade da profissão deseja seguir. Iniciar o aprofundamento em uma área o quanto antes, ainda dentro do meio acadêmico, é um passo essencial para a diferenciação do profissional, que pode trazer uma maior probabilidade de sucesso a sua carreira.
Ter uma visão de carreira em curto, médio e longo prazos não é um privilégio apenas para os que já estão no mercado. Deve ser levado muito a sério por aqueles que pretendem enfrentá-lo, que desejam ter sucesso e tenham determinação. Estudar quais são as tendências em sua área é relativamente fácil. Com o advento da Internet é possível cruzar informações desde notícias sobre o meio até os perfis de profissionais solicitados em suas respectivas carreiras. Assim, o inexperiente pode ter uma noção dos passos que deve seguir para atingir os seus objetivos.
As estratégias corporativas geram uma demanda de profissionais especialistas em diversas tecnologias. A distância entre o meio acadêmico e o profissional obriga os universitários a planejarem as suas carreiras com o máximo da antecedência para enfrentar o mercado de trabalho. A final de contas, o mercado precisa comprar maturidade dos profissionais que se apresentam e esta maturidade deve ser criada desde o início da carreira profissional.
Ricardo Kubo
coaching@mandic.com.br
Fonte: QG do Petroleo








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