PRÉ-SAL BRASILEIRO ATRAI SCHLUMBERGER

A Schlumberger, maior empresa de serviços para a indústria de petróleo do mundo, inaugurou no dia 16 de novembro um novo centro de pesquisas e geoengenharia, no Rio de Janeiro. O Centro de Pesquisas em Geoengenharia da Schlumberger no Brasil foi projetado para promover a integração entre geociências e engenharia para aprimorar a produção e recuperação de hidrocarbonetos do complexo de reservas de petróleo em águas profundas e dos carbonatos do pré-sal na costa brasileira.

Na última semana, a empresa inaugurou, além do Centro de Pesquisas, a sua maior base operacional do mundo, em Macaé (RJ), com área total de 135 mil metros quadrados. Com investimento de US$ 65 milhões, a base vai unificar as unidades operacionais que a empresa já detinha na cidade, principal centro da indústria do petróleo no Brasil. No ano passado faturou US$ 22,7 bilhões, dos quais US$ 800 milhões foram investidos em pesquisas que, de acordo com o executivo, é o foco maior das atividades da empresa. Para 2011, estão previstos investimentos de US$ 1 bilhão em P&D.

A Schlumberger opera no Brasil desde 1945 e emprega 105 mil pessoas em todo o mundo, sendo 3,5 mil brasileiros. O presidente mundial da companhia, Andrew Gould, acha que a adoção do modelo de partilha para a exploração do petróleo na área do pré-sal brasileiro, tendo a Petrobras como operadora exclusiva, não reduzirá o interesse estrangeiro por participar dessa exploração, mas vai mudar o perfil dos interessados.

A estatal brasileira de petróleo ganhará o direito de ser a única empresa a operar no pré-sal brasileiro quando o sistema de partilha de produção for votado no Congresso. Isso aumenta a responsabilidade da companhia, mas não deve afugentar possíveis sócios multinacionais, segundo a percepção do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Nessa questão, ele discorda da avaliação feita pelo presidente da Schlumberger. "Eu não concordo com a opinião dele sobre o comportamento das empresas internacionais. Quase todas as grandes companhias querem vir para o Brasil para o pré-sal. Não há no mundo, em águas profundas, áreas com mais perspectiva de desenvolvimento que o pré-sal brasileiro".

Gould conta que quando os primeiros sinais do pré-sal foram surgindo, a Petrobras enviou um grupo de técnicos a outro centro de pesquisas da empresa, localizado em Dhahran, na Arábia Saudita, cujo foco principal é estudar os reservatórios de carbonatos que, segundo ele, concentram cerca de 70% do petróleo do Oriente Médio. A grande especificidade da área do pré-sal brasileiro, de acordo com o executivo, vai exigir que, mesmo havendo a experiência com carbonatos em Dhahran, a Schlumberger faça pesquisa básica no Rio de Janeiro, utilizando pesquisadores brasileiros e parcerias com a própria Petrobras, a UFRJ e outras instituições e empresas.

A Schlumberger não demonstra preocupação quanto à possibilidade de perder negócios por conta do modelo regulatório do pré-sal. O presidente da companhia afirma que a empresa está investindo para ampliar sua presença no Brasil com vistas, justamente, a uma atração mais profunda na área. Na avaliação da empresa, o país vai se transformar, já na próxima década, em um dos cinco maiores centros da indústria de petróleo do mundo.

Nicomex Notícias – Redação
nicomex@nicomex.com.br

Fonte: Nicomex Notícias

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