A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou, na semana passada, uma revisão no crescimento previsto de consumo mundial de petróleo em 2011 e 2012, para 1,01% e 1,36%, respectivamente. A Opep é um órgão importante para a tabela de preço a nível global do óleo mineral. Diferente do que se pensa, são os países considerados pobres ou periféricos que possuem esse grande poder de barganha.
A Opep foi criada em 1960, na chamada Conferência de Bagdá, e entrou em vigor há 50 anos. A organização reúne os principais produtores da riqueza do mundo. Dos 12, nenhum se encontra nos poderosos continentes da América do Norte e da Europa: dois estão na América do Sul (Equador e Venezuela), quatro na África (Angola, Argélia, Líbia e Nigéria) e seis no Oriente Médio (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Qatar).
“A cada reunião do grupo, o mundo todo fica atento. Elas possuem direta correlação com bolsa de valores, atividade industrial mundial e aquecimento ou esfriamento das principais economias do mundo, como Estados Unidos e China”, explicou Castro. De acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA, os norte-americanos consomem 19,7 milhões de barris por dia. A China, crescendo velozmente, consome 8,3 milhões barris/dia. O Brasil fica com 2,5 milhões barris/dia. Os dados são de 2009.
“Essa é organização internacional politicamente muito influente. Economicamente, nem se fala. Ela tem no seu hall de ações a determinação da quantidade de oferta do barril de petróleo. Também manipula e determina o preço do petróleo no mundo. Isso já a torna um grande ator no cenário internacional”, disse o professor e coordenador do curso de Relações Internacionais da Faculdade Damas, Thales Castro.
A organização tem como função unificar a política dos países membros. Fazendo com que eles ajam de comum acordo, ela consegue regular o preço do produto, agindo como uma espécie de cartel. De acordo com o site oficial da Opep, o seu objetivo é “garantir a estabilidade de mercado de óleo para garantir um eficiente, econômica e regular fornecimento de petróleo aos consumidores, uma renda fixa aos produtores e um retorno justo de capital para aqueles que investem na indústria de petróleo”.
Em 1968, outra organização foi criada: a dos Países Árabes Exportadores de Petróleo (OPAEP). Ao contrário de criar uma possível concorrência e, consequentemente, o esfacelamento do poder da Opep, ela reforça a dinâmica da organização já existente. “Esse subgrupo reforça um elo entre os países árabes, mas não põe em risco o poder da Opep em momento algum”, concluiu o professor.
Folha de Pernambuco (PE)/RODRIGO LINS







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