NANOTECNOLOGIA A SERVIÇO DA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO

A nanotecnologia, ramo da ciência que estuda formas de construir estruturas e novos materiais a partir dos átomos, está se voltando para a indústria de petróleo. O projeto para separação de óleo-água por meio de nanopartículas anfifílicas (afinidade por óleo e água), elaborado pela equipe Nanotug, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é um exemplo. O objetivo dessas nanopartículas é melhorar a separação do petróleo e da água após sua extração, além de diminuir os níveis de enxofre do material.

Apesar de ser um conhecimento geral que água e óleo não se misturam, poucos sabem que se misturam sim, ao formar uma emulsão, normalmente quando colocados sob pressão. É o caso do material extraído dos poços de petróleo. O processo de separação é feito por uma substância conhecida como desemulsificante, na maior parte das vezes, polimérico e não biodegradável, poluindo mais e gerando gastos maiores, já que o material não pode ser reutilizado. Essa é a maior inovação das nanopartículas anfifílicas (afinidade por óleo e água). Elas agem exatamente como os desemulsificantes poliméricos, porém têm propriedade magnética e podem ser separadas da fase oleosa pela aproximação de um imã.

As nanopartículas anfifílicas magnéticas nasceram da associação de um mineral chamado vermiculita, abundante no Brasil, mais a síntese de nanotubos de carbono em sua superfície. Essa tecnologia gera um produto de dimensões nanométricas capaz de interagir com o óleo e a água simultaneamente. O processo funciona de forma simples. Quando o produto é aplicado em uma emulsão óleo/água (como petróleo recém extraído) o material se posiciona na interface das bolhas de óleo ou água, e é nesse momento que a remoção de contaminantes pode ser efetuada. Em seguida, aproxima-se um imã da emulsão e as bolhas de água/óleo são arrastadas até que se fundem formando duas fases de uma mistura heterogênea (uma fase de óleo e outra fase de água) e assim, as fases podem ser facilmente separadas. As nanopartículas ficam retidas na parede do reservatório atraídas pelo imã.

Em entrevista ao Nicomex Notícias, Aluir Dias, Doutorando da área de química e participante da equipe Nanotug que criou e desenvolveu a tecnologia, aposta na economia que o projeto traz as petrolíferas para inserir esse produto no mercado. “O nosso material, por um processo simples, pode ser recuperado e reaproveitado cerca de 5 vezes sem perda de eficiência. Todos esses fatores podem gerar uma economia de até 80% nos gastos com desemulsificantes. Uma estimativa feita pelo nosso grupo em colaboração com a empresa "Verti Ecotecnologias" mostrou que o gasto anual da Petrobras com desemulsificantes supera o valor de 1 bilhão de dólares por ano” - disse o especialista.

O grupo, formado por 4 professores, 10 alunos de Doutorado, 1 aluno de mestrado e 15 alunos de graduação, pretende desenvolver agora, mais pesquisas em nanotecnologia. Voltado, principalmente, soluções alternativas para problemas ambientais e ainda desenvolvimento de tecnologias verdes para a indústria do petróleo e biocombustíveis, criando assim uma plataforma de tecnologia brasileira voltada para o setor. “Temos, inclusive, várias pesquisas que se tornaram patentes e muitas dessas já estão em fase de licenciamento”, conclui o Doutorando em entrevista ao NN.

Por Carla Viveiros
Carla.v@nicomexnoticias.com.br

2 comentários:

Unknown disse...

bom material

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