Entre os países que dominam o setor de petróleo, a Noruega, de pequenas dimensões físicas, tem grande peso no cenário internacional. Com grandes reservas e formas quase únicas de lidar com o mercado de petróleo, o país se destaca servindo de modelo inclusive para o novo contrato de exploração do pré-sal brasileiro, que está atualmente em votação.
Com reservas de petróleo e gás natural em grande quantidade, a Noruega é atualmente a sétima maior nação produtora e a terceira maior exportadora de petróleo do mundo. Porém, o principal destaque do país é o destino dos recursos de sua exploração. Ao se iniciar o processo de exploração, nos anos 70, o país se dedicou a dividir os royalties e lucros do novo mercado que se abria de forma a melhorar os sistemas públicos do país com a criação de um Fundo Social, programa que também será reproduzido aqui com os royalties do pré-sal.
Na Noruega, o petróleo é extraído pela Statoil e os lucros de parte da venda do produto são administrados pela Petoro, uma empresa 100% estatal, e revertidos em gastos sociais. Com respeito às regras, transparência e eficiência nos investimentos, o Fundo de Pensão do Governo tem tudo para manter por gerações o bem-estar desfrutado pelos noruegueses. O fundo mudou o patamar de nossa economia, diz Kjetil Hove, diretor-geral da unidade brasileira da StatoilHydro, a estatal norueguesa de petróleo. Para o professor de economia de petróleo Doneivan Ferreira, o modelo não funcionaria aqui. “Temos uma cultura de funcionalismo público e o modelo de gestão deles é enxuto, que destina seus recursos na lei. Acredito que não seria bem aceito aqui”, disse o professor em entrevista ao Nicomex Notícias.
O país possui aproximadamente 50% das reservas de petróleo e gás ainda existentes na Europa Ocidental. Por isso, tem muitos interesses em comum com outros produtores, dentro e fora da OPEP, e espera que sua cooperação com o Brasil aumente em consequência das novas descobertas de reservas brasileiras. Mais de 60 empresas norueguesas do setor petrolífero têm uma subsidiária estabelecida no Brasil e os investimentos acumulados da Noruega no setor dentro do nosso país ultrapassaram 30 bilhões de coroas norueguesas, ou, nove bilhões de reais.
Mesmo após ter vendido parte de seus ativos de exploração no Brasil, a Statoil continua interessada em expandir suas operações no país. A companhia anunciou, em junho, a venda de 40% do campo de Peregrino, localizado na Bacia de Campos, por US$ 3 bilhões, à estatal chinesa Sinochen. A empresa garantiu que a venda ocorreu porque prioriza-se trabalhar em parceria. Negando qualquer tipo de contato ou negociação com empresas que atuam no Brasil, a Statoil não descarta a possibilidade de comprar participações em blocos exploratórios na costa brasileira. Das 50 operadoras internacionais operando no Brasil, duas são norueguesas (a Statoil e a Norse Energy) e as perspectivas futuras são excelentes por causa das reservas do pré-sal que o governo brasileiro pensa em explorar, se inspirando exatamente no modelo norueguês.
Pioneirismo norueguês na proteção do meio ambiente
A Noruega foi o primeiro país a anunciar a suspensão de novas perfurações de petróleo em águas profundas até que sejam esclarecidos os erros que levaram ao desastre de vazamento no Golfo do México. O ministro da Energia norueguês, Terje Riis-Johansen, disse que as próximas licenças de perfuração só serão concedidas tendo em vista o que tivermos aprendido com o Golfo do México. Não é apropriado concedermos novas licenças em áreas de grande profundidade sem sabermos bem o que aconteceu com a Deepwater Horizon e o que isso significará para as novas regulamentações. A decisão norueguesa foi a primeira tomada nesse sentido fora dos EUA por causa do desastre.
Por Carla Viveiros
Carla.v@nicomexnoticias.com.br
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