O pré-sal é a denominação das reservas petrolíferas encontradas abaixo de uma profunda camada de sal no subsolo marítimo. As rochas reservatório deste tipo de região normalmente são encontradas em regiões muito profundas, de difícil localização e de acesso mais complexo. A maior parte das reservas petrolíferas no pré-sal atualmente conhecidas no mundo estão em áreas marítimas profundas e ultra-profundas.
Diariamente a camada do pré-sal tem sido tema de todas as agências de notícias, e de forma polêmica já vinculada a uma bandeira política para a próxima campanha presidencial. Apesar dos bilhões de barris de petróleo anunciados pelo governo, que estão encobertos por espessas camadas de sal abaixo do leito do mar brasileiro, muito do que se tem falado até hoje são ainda futuras possibilidades. O que realmente significa o pré-sal para o povão deste país ? Como essa riqueza será explorada técnica e politicamente ? Quais são as garantias de que a extração de petróleo nessas áreas serão um bom investimento, considerando que vivemos em um crescente movimento de redução de emissões dos combustíveis fósseis?
Segundo o Governo Federal, o pré-sal é uma descoberta de dimensões extraordinárias, que abre possibilidades e oportunidades para o país e para a indústria do petróleo em geral.
Pré-sal – Onde encontrar ?
É uma porção do subsolo que se encontra sob uma camada de sal situada alguns quilômetros abaixo do leito do mar. A primeira reserva petrolífera em área pré-sal no mundo ocorreu no litoral brasileiro, onde passaram a ser conhecidas simplesmente como petróleo do pré-sal ou pré-sal. Estas também são as maiores reservas conhecidas em zonas da faixa pré-sal.
Depois do anúncio da descoberta de reservas na escala de vários bilhões de barris, em todo o mundo começaram processos de exploração em busca de petróleo abaixo das rochas de sal nas camadas profundas do subsolo marinho. Atualmente as principais áreas de exploração petrolífera com reservas potenciais ou prováveis já identificadas na faixa pré-sal estão no litoral do Atlântico Sul. Na porção sul-americana está a grande reserva do pré-sal no Brasil, enquanto, no lado africano, existem áreas pré-sal em exploração no Congo (Brazzaville) e no Gabão. Também existem áreas pré-sal sendo explorados Golfo do México e no Mar Cáspio, na zona marítima pertencente ao Cazaquistão.
As reservas de petróleo encontradas na camada pré-sal do litoral brasileiro estão dentro da área marítima considerada zona econômica exclusiva do Brasil. São reservas com petróleo considerado de média a alta qualidade (28º API).
O conjunto de campos petrolíferos do pré-sal se estende entre o litoral dos estados do Espírito Santo até Santa Catarina, com profundidades que variam de 1.000 a 2.000 metros de lâmina d'água e entre quatro e seis mil metros de profundidade no subsolo, chegando, portanto a até 8.000 m da superfície do mar, incluindo uma camada que varia de 200 a 2.000m de sal.
Apenas a descoberta dos três primeiros campos do pré-sal, Tupi, Iara e Parque das Baleias já dobraram as reservas brasileiras comprovadas, que eram de 14 bilhões de barris e agora são de 33 bilhões de barris. Além destas existem reservas possíveis e prováveis de 50 a 100 bilhões de barris.
Caso a expectativa seja confirmada, o Brasil ficará entre os seis países que possuem as maiores reservas de petróleo do mundo, atrás somente de Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes.
Pré-sal: Como se descobriu?
A descoberta do petróleo nas camadas de rochas localizadas abaixo das camadas de sal só foi possível devido ao desenvolvimento de novas tecnologias como a sísmica 3D e sísmica 4D, de exploração oceanográfica, mas também de técnicas avançadas de perfuração do leito marinho.
De uma maneira simplificada, o pré-sal é um conjunto de reservatórios mais antigos que a camada de sal que se estende nas Bacias de Campos e Santos desde o Alto Vitória até o Alto de Florianópolis respectivamente. A espessura da camada de sal na porção centro-sul da Bacia de Santos é de aproximadamente 2.000 metros, enquanto na porção norte da bacia de Campo está em torno de 200 metros. A área de ocorrência conhecida destes reservatórios, segundo a Petrobras (2008), é de 112.000 km² dos quais 41.000 km² (38%) já foram licitados e 71.000 km² (62%) ainda por licitar.
A descoberta do pré-sal foi confirmada pela Petrobras em 2007. Em 2008 a empresa confirmou a descoberta de óleo leve na camada pré-sal.
A Petrobras já possui tecnologia suficiente para extrair o óleo da camada, sendo o objetivo da empresa o desenvolvimento de novas tecnologias que possibilitem maior rentabilidade, principalmente nas áreas mais profundas.
Em setembro de 2008, a Petrobras começou a explorar petróleo da camada pré-sal em quantidade reduzida. Esta exploração inicial ocorre no Campo de Jubarte (Bacia de Campos), através da plataforma P-34, e visa calibrar dados e informações que permitam o desenvolvimento de projetos para exploração em larga escala.
Pré-sal: Qual o potencial estimado?
A região do pré-sal brasileiro, que prenuncia gigantescas reservas de petróleo e gás em volumes ainda indefinidos, é uma seqüência de rochas sedimentares depositadas há mais de 100 milhões de anos no espaço geográfico formado pela separação dos continentes Americano e Africano, que começou há 150 milhões de anos.
A província do pré-sal compreende uma área de 112 mil quilômetros quadrados, que vai do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina. Desse total, 41 mil quilômetros quadrados - o equivalente a 38% de toda a área - já foram concedidos em licitações realizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
A Petrobras detém 35 mil quilômetros quadrados do total já concedido. Há, ainda, 71 mil quilômetros quadrados de área sujeita a concessão.
A maior descoberta, até agora, está no Campo de Tupi, onde a Petrobras já iniciou o teste de longa duração, com a coleta de dados e de conhecimento técnico para a exploração de toda a área do pré-sal.
Somente em Tupi, as reservas estimadas estão entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural. Outra importante descoberta de óleo leve nos reservatórios do pré-sal se deu na área conhecida como Iara, explorada pela Petrobras, que opera o campo com 65% de participação em consórcio formado pela BG Group (25%) e a Galp Energia (10%).
As estimativas apontam para um volume entre 3 bilhões e 4 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural. Essas estimativas foram confirmadas por teste a cabo, que revelaram a existência de petróleo leve numa área de cerca de 300 quilômetros quadrados.
O Campo de Iara está localizado na área ao norte de Tupi, a cerca de 230 quilômetros do litoral da cidade do Rio de Janeiro, em lâmina d'água de 2.230 metros. A profundidade final atingida pelas perfurações chegou a 6.080 metros.
Com a conclusão da perfuração de dois novos poços na seção pré-sal do litoral do Espírito Santo foi comprovada a expressiva descoberta de óleo leve na área denominada Parque das Baleias, ao norte da Bacia de Campos. O volume das descobertas, feitas em reservatórios do pré-sal localizados abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul e Jubarte, é estimado entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de barris de petróleo e gás.
Pré-sal: Quais os investimentos necessários?
Devido à falta de informações sobre os campos em desenvolvimento ainda é muito cedo para se ter uma estimativa concreta dos investimentos necessários para transformar o país em uma potencia petrolífera. No entanto, alguns estudos já dão uma idéia do tamanho deste desafio. Especialistas do mercado estimam que seriam necessários 600 bilhões de dólares (45% do produto interno bruto brasileiro) para extrair os 50 bilhões de barris estimados para os blocos de exploração de Tupi, Júpiter e Pão de Açúcar, sendo estes (apenas 13% da área do pré-sal. A Petrobras já é mais modesta em suas previsões. Para a companhia, o custo até se aproxima dos 600 bilhões de dólares, mas engloba as seis áreas já licitadas em que é a operadora: Tupi e Iara, Bem-Te-Vi, Carioca e Guará, Parati, Júpiter e Carambá.
Estimativas da Petrobras indicam que a estatal terá que investir na área do pré-sal cerca de 111,4 bilhões de dólares até 2020 para produzir 1,8 milhão de barris diários de petróleo e gás natural. Na avaliação do presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, esse volume de investimento é viável, com o preço do petróleo no mercado externo abaixo dos 45 dólares o barril.
Para Gabrielli,, no entanto, somente os testes de longa duração, que estão em andamento tanto no Parque das Baleias (ES) quanto em Tupi, na Bacia de Santos, é que fornecerão as informações suficientes e precisas sobre a quantidade de poços que serão necessários por unidade flutuante de produção.
É claro que nós esperamos que, com o conhecimento que será adquirido ao longo da realização desses testes, consigamos reduzir o número de postos e, conseqüentemente, até mesmo reduzir estes investimentos em bilhões de dólares, disse.
Ele lembrou ainda que somente um poço hoje para ser perfurado custa em torno de 60 milhões de dólares e, para completar, o valor salta para 100 milhões de dólares. Então, se eu consigo reduzir 200 poços isso significa 20 bilhões de dólares de economia, explicou.
As projeções da Petrobras indicam que a estatal deve produzir, em 2013, 219 mil barris dia de petróleo na área do pré-sal, volume que saltará para 528 mil barris por dia já em 2016, para chegar a 2020 com uma produção diária estimada de 1,8 milhão de barris diários.
Pré-sal - É a Renovação da Matriz Energética Nacional?
Não restam dúvidas que as descobertas de petróleo na camada pré-sal são de grande importância estratégica para o Brasil. Todavia, a exploração do pré-sal pode levar a um retrocesso na matriz energética nacional, intensificando o uso do petróleo e invalidando todos os esforços realizados até o momento para transformar esta matriz em uma das mais limpas do mundo.
São poucos os exemplos de países em desenvolvimento com grandes excedentes de petróleo que escaparam à tentação populista de subsidiar os preços dos derivados. É ainda menor o número de países que se desenvolveram com base unicamente na produção de recursos naturais.
Espera-se que o Brasil não adote políticas desse tipo e acabe em situação similar à da Venezuela, que, ao subsidiar os preços internos dos derivados de petróleo, inviabilizou o desenvolvimento de outras fontes de energia e de sua própria economia. Com isso, apenas 27% da sua matriz energética é ocupada por fontes renováveis. Enquanto isso, a Noruega, que é citada como paradigma a ser seguido, possui 68% de sua matriz composta por fontes renováveis e apenas 22% por petróleo. A Noruega exporta grande parte de sua produção de petróleo, pratica preços internos alinhados aos internacionais e direciona a renda petrolífera a um fundo soberano que hoje tem US$ 400 bilhões.
A construção de seis refinarias ameaça os avanços em energias e combustíveis alternativos, pois provavelmente os derivados por elas produzidos para exportação podem não ocorrer, uma vez que mercado mundial de derivados apresenta sazonalidades no consumo e volatilidade de preços. Isso faz com que, dependendo do momento, essas refinarias fiquem ociosas. Nessa situação poderia ser mais interessante para o governo inundar o mercado interno com derivados a preços artificialmente baixos, trazendo enormes prejuízos aos investidores das demais energias e combustíveis alternativos, no momento incentivados pelo próprio governo. Essa ameaça torna-se ainda concreta se houver políticas governamentais populistas de subsídios aos derivados.
O Brasil possui uma matriz energética das mais diversificadas e limpas do mundo. Portanto, devem-se envidar esforços para incrementar a utilização desta vantagem comparativa na produção de energias renováveis, em especial do etanol e biodiesel, reservando os recursos petrolíferos para exportação após atender ao mercado interno a preços nivelados com os internacionais. Esta meta somente será alcançada se forem estabelecidas políticas energéticas com visão de longo prazo, que estimule a diversificação da matriz, privilegiando o consumo de fontes renováveis de energia.
Não restam dúvidas que as descobertas de petróleo na camada pré-sal são de grande importância estratégica para o Brasil. Todavia, a exploração do pré-sal pode levar a um retrocesso na matriz energética nacional, intensificando o uso do petróleo e invalidando todos os esforços realizados até o momento para transformar esta matriz em uma das mais limpas do mundo.
São poucos os exemplos de países em desenvolvimento com grandes excedentes de petróleo que escaparam à tentação populista de subsidiar os preços dos derivados. É ainda menor o número de países que se desenvolveram com base unicamente na produção de recursos naturais.
Espera-se que o Brasil não adote políticas desse tipo e acabe em situação similar à da Venezuela, que, ao subsidiar os preços internos dos derivados de petróleo, inviabilizou o desenvolvimento de outras fontes de energia e de sua própria economia. Com isso, apenas 27% da sua matriz energética é ocupada por fontes renováveis. Enquanto isso, a Noruega, que é citada como paradigma a ser seguido, possui 68% de sua matriz composta por fontes renováveis e apenas 22% por petróleo. A Noruega exporta grande parte de sua produção de petróleo, pratica preços internos alinhados aos internacionais e direciona a renda petrolífera a um fundo soberano que hoje tem US$ 400 bilhões.
A construção de seis refinarias ameaça os avanços em energias e combustíveis alternativos, pois provavelmente os derivados por elas produzidos para exportação podem não ocorrer, uma vez que mercado mundial de derivados apresenta sazonalidades no consumo e volatilidade de preços. Isso faz com que, dependendo do momento, essas refinarias fiquem ociosas. Nessa situação poderia ser mais interessante para o governo inundar o mercado interno com derivados a preços artificialmente baixos, trazendo enormes prejuízos aos investidores das demais energias e combustíveis alternativos, no momento incentivados pelo próprio governo. Essa ameaça torna-se ainda concreta se houver políticas governamentais populistas de subsídios aos derivados.
O Brasil possui uma matriz energética das mais diversificadas e limpas do mundo. Portanto, devem-se envidar esforços para incrementar a utilização desta vantagem comparativa na produção de energias renováveis, em especial do etanol e biodiesel, reservando os recursos petrolíferos para exportação após atender ao mercado interno a preços nivelados com os internacionais. Esta meta somente será alcançada se forem estabelecidas políticas energéticas com visão de longo prazo, que estimule a diversificação da matriz, privilegiando o consumo de fontes renováveis de energia.
Pré-sal - É possível o equilíbrio?
A energia renovável é aquela que é obtida de fontes naturais capazes de se regenerar, e, portanto virtualmente inesgotáveis, ao contrário dos recursos não-renováveis, como o caso do petróleo, gás natural e carvão mineral.
As energias renováveis são conhecidas pela imensa quantidade de energia que contêm, e porque são capazes de se regenerar por meios naturais, sendo consideradas como energias alternativas ao modelo energético tradicional, tanto pela sua disponibilidade (presente e futura) garantida, como pelo seu menor impacto ambiental.
Diferentemente, os combustíveis fósseis precisam de milhares de anos para a sua formação, e, portanto são fontes não-renováveis de energia, não sendo possível repor o que for gasto. Em algum momento, por maiores que sejam as reservas, este combustível fóssil irá acabar e podem ser necessários milhões de anos de evolução semelhante para poder contar novamente com eles. São aqueles cujas reservas são limitadas e estão sendo devastadas com a utilização.
Os combustíveis renováveis são aqueles que usam como matéria-prima elementos renováveis para a natureza. Os maiores exemplos são a cana-de-açúcar, utilizada para a fabricação do álcool e também de vários outros vegetais como as diversas oleaginosas utilizadas para a fabricação do biodiesel ou outros óleos vegetais que podem ser usados diretamente em motores diesel com algumas adaptações.
Temos assim um dilema que somente será lembrado no futuro. Apostar altos investimentos na produção de petróleo do pré-sal, correndo o risco deste petróleo não ter valor comercial atrativo daqui a uma década, ou deve-se buscar o equilíbrio de investimentos em energias alternativas, proporcionando a segurança energética necessária para o crescimento do país?
Por Alexandre Guimarães, fonte: Nicomex
A energia renovável é aquela que é obtida de fontes naturais capazes de se regenerar, e, portanto virtualmente inesgotáveis, ao contrário dos recursos não-renováveis, como o caso do petróleo, gás natural e carvão mineral.
As energias renováveis são conhecidas pela imensa quantidade de energia que contêm, e porque são capazes de se regenerar por meios naturais, sendo consideradas como energias alternativas ao modelo energético tradicional, tanto pela sua disponibilidade (presente e futura) garantida, como pelo seu menor impacto ambiental.
Diferentemente, os combustíveis fósseis precisam de milhares de anos para a sua formação, e, portanto são fontes não-renováveis de energia, não sendo possível repor o que for gasto. Em algum momento, por maiores que sejam as reservas, este combustível fóssil irá acabar e podem ser necessários milhões de anos de evolução semelhante para poder contar novamente com eles. São aqueles cujas reservas são limitadas e estão sendo devastadas com a utilização.
Os combustíveis renováveis são aqueles que usam como matéria-prima elementos renováveis para a natureza. Os maiores exemplos são a cana-de-açúcar, utilizada para a fabricação do álcool e também de vários outros vegetais como as diversas oleaginosas utilizadas para a fabricação do biodiesel ou outros óleos vegetais que podem ser usados diretamente em motores diesel com algumas adaptações.
Temos assim um dilema que somente será lembrado no futuro. Apostar altos investimentos na produção de petróleo do pré-sal, correndo o risco deste petróleo não ter valor comercial atrativo daqui a uma década, ou deve-se buscar o equilíbrio de investimentos em energias alternativas, proporcionando a segurança energética necessária para o crescimento do país?
Por Alexandre Guimarães, fonte: Nicomex








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