ANP E PETROBRAS DIVERGEM SOBRE PREÇO DO BARRIL – Retrospectiva

A última semana começou com o pronunciamento do ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, na terça feira, dia 17, comunicando que a data da capitalização da Petrobras estava definida para 30 de setembro. A decisão veio após reuniões conduzidas pelo presidente Lula. Segundo Zimmermann, o primeiro passo para a capitalização seria a definição, por parte da União, do preço dos até cinco bilhões de barris de petróleo da camada do pré-sal da Bacia de Santos a serem explorados pela Petrobras e isso precisaria ser feito até o final deste mês.

Na quarta-feira, dia 18, a equipe econômica do Ministério da Fazenda se mostrou insatisfeita com a data definida para a capitalização, tentando, sem sucesso, adiá-la. A equipe considerou o cronograma ”superapertado”, devido à indefinição do valor do barril e à diferença entre as avaliações das certificadoras que mapearam o valor das reservas que serão cedidas pela União à estatal. A capitalização se torna mais complicada porque União e Petrobras têm interesses distintos quanto ao valor do barril. Em relação a cessão onerosa (a Petrobras terá que pagar à União pelos barris que receber), o interesse da estatal é que a cotação seja a mais baixa possível, e da União o mais alto, aumentando assim, seu poder de fogo na capitalização.

Na quinta, dia 19, a certificadora contratada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou sua avaliação sobre o preço do barril a ser repassado à Petrobras. O valor ficou entre US$ 10 e US$ 12, bem superior à avaliação contratada pela estatal, que registrou entre US$ 5 e US$ 6 por barril. Diante das incertezas, uma divisão de opiniões se instalou no governo sobre manter o cronograma de capitalização da Petrobras, com conclusão para o fim de setembro. O presidente Lula teria chegado a confidenciar a auxiliares que se não estiver convencido da rentabilidade máxima do negócio para o Tesouro, seria melhor adiá-lo para depois da eleição.

Fechando a semana, técnicos do governo se reuniram no Rio de Janeiro para tentar chegar a um consenso sobre o valor do barril do pré-sal, já que o governo não quer recorrer a uma arbitragem internacional para resolver a divergência entre Petrobras e ANP. A palavra final caberá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que se reúne ainda neste mês e as demais dúvidas sobre o contrato serão arbitradas pela Advocacia Geral da União (AGU).

US$ 224 bilhões até 2014

Na quarta-feira, dia 18, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, em teleconferência com analistas, revelou que a estatal deve perfurar até o fim do ano mais seis poços na área do pré-sal, chegando a 16 na região. No dia seguinte, confirmando a expansão da exploração na camada, o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que até 2014 o Brasil deverá investir US$ 224 bilhões na exploração do petróleo na camada do pré-sal. A previsão é passar da produção mensal atual de 2 milhões de barris para 5 milhões.

Por Hebert Hungria
hebert.hungria@nicomexnoticias.com.br

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