A última semana no setor naval começou com a notícia de que o petróleo depositado na camada pré-sal já é o combustível de uma corrida por investimentos bilionários em terra firme. São obras de infraestrutura e logística, e negócios nos setores portuário, aeroportuário, hoteleiro, imobiliário, naval e de pesquisa tecnológica. O dinheiro vem tanto de empresas privadas como do governo e pode ultrapassar a cifra dos US$ 20 bilhões. Dezenove empresas nacionais e internacionais já comunicaram à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a intenção de explorar terminais ou áreas arrendadas em portos de todo o país, visando à movimentação gerada direta ou indiretamente pelo pré-sal.
No mesmo dia, foi noticiado que a indústria nacional quer aumentar sua presença na lista de fornecedores da Petrobras, mas tem encontrado dificuldades para entrar no seleto grupo de parceiros da operadora única do pré-sal. O governo reconhece as dificuldades e trabalha para transformar a descoberta numa oportunidade para desenvolver, no Brasil, tecnologia de ponta para equipamentos para o setor. Uma das formas de garantir maior participação das empresas locais no pré-sal será a exigência do uso de material produzido no Brasil nos projetos.
A norma ainda não está fixada, mas pelas avaliações das reuniões já realizadas, admite-se que, para trabalhar no pré-sal, as empresas terão de utilizar 75% de materiais "made in Brazil". Representantes das indústrias de eletroeletrônicos e de máquinas, entretanto, já foram ao Ministério de Minas e Energia reclamar que suas associadas têm dificuldade em vender para a Petrobras, apesar das regras de conteúdo local. Mesmo empresas estrangeiras que se associaram a firmas locais para aproveitar as exigências de conteúdo nacional encontram problemas.
Na quarta-feira, dia 11, os fabricantes de equipamentos no País se mostraram insatisfeitos com a proposta da Petrobras de reduzir a participação da indústria nacional na exploração do pré-sal. Representantes dos setores de máquinas e eletroeletrônicos disseram que a indústria tem plenas condições de atender à demanda da estatal, desde que a empresa explicite o que será preciso e estabeleça um ritmo moderado de produção nos campos de petróleo e gás na costa brasileira. A Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) travam um embate por causa das regras que fixam porcentuais mínimos de compra de materiais produzidos no mercado local pelas empresas que exploram petróleo e gás.
Aprovação de nova etapa da Capitalização
Quase terminando a semana, a Petrobras aprovou na quinta-feira, dia 12, em assembléia geral extraordinária, mais uma etapa do processo de capitalização, cuja conclusão é esperada pelo mercado para o fim de setembro. A contratação da PricewaterhouseCoopers para avaliar os títulos que serão usados como pagamento pelas reservas de 5 bilhões de barris de petróleo da União foi aprovada com a abstenção do governo, acionista controlador. A decisão pela abstenção foi acompanhada de pressão da Associação de Investidores no Mercado de Capitais.
Por Bruno Hennington








0 comentários:
Postar um comentário