A última semana começou com a notícia de que o presidente Lula aguardava a proposta oficial do preço do barril do petróleo, a ser apresentada pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A expectativa do mercado é de que o valor fosse intermediário entre os sugeridos pela ANP e pela Petrobras. Enquanto a certificadora Gaffney, Cline & Associates, contratada pela ANP, cotou o barril entre USD 10 e USD 12, a consultoria DeGlyer & MacNaughton, contratada pela Petrobras, não passou dos USD 5 a USD 6.
Ainda na segunda-feira, dia 23, a estatal anunciou que estava autorizada a receber uma injeção de recursos de até R$ 150 bilhões, somando aportes da União e demais sócios, porém a operação poderia ultrapassar US$ 180 bilhões, dependendo do valor do barril. Essa diferença ilustra a magnitude do problema que técnicos do governo têm de resolver, rapidamente, para manter a data da capitalização, 30 de setembro. Pensando neste cronograma o governo anunciou na terça-feira, 24, um plano B, para o caso de não haver consenso sobre o preço do barril, a alternativa seria contratar uma terceira certificadora, internacional, para apresentar uma nova proposta.
E o assunto continuou causando polêmica no mercado petrolífero. Surgiu na quarta-feira, dia 25, uma nova divergência entre governo e Petrobras. A questão envolvendo o cálculo do tamanho das futuras reservas de óleo da União que entrarão no negócio. Laudo contratado pela Petrobras apontava em relação ao da ANP, um volume bem menor de petróleo nas áreas que a União entregará à empresa como sua parte na capitalização da petroleira. A divergência sobre o tamanho dos reservatórios é considerada pelo governo mais grave do que a do valor do barril de petróleo. Isso porque, quanto menor o volume das áreas escolhidas previamente para a capitalização, mais reservatórios a União teria de colocar na operação para atingir os 5 bilhões de barris de petróleo.
Na sexta-feira, dia 27, o governo bateu o martelo sobre o valor do barril, salvo qualquer argumentação extraordinária, o barril da cessão onerosa para a Petrobras ficará em US$ 8,50. O valor é uma média exata do preço sugerido nos laudos da ANP e da estatal. Reavaliando parâmetros dos dois laudos, e procurando dar fim as divergências a União reduziu o volume de reservas estimado da área de 5 para 4,5 bilhões de barris, o que deve causar grande impacto no valor final da capitalização. A Petrobras teria resistido ao valor fixado por barril, mas acabou cedendo diante da ameaça de novo adiamento do processo de capitalização, caso governo recorresse ao plano B, de contratar uma terceira consultoria para uma nova análise.
Novas áreas para compor a capitalização
Ainda na sexta-feira, 27, os principais jornais do país noticiaram que além dos reservatórios de Franco e de áreas próximas ao campo de Tupi na camada do pré-sal, a União deve usar pelo menos mais uma terceira área de acumulação de petróleo na capitalização da Petrobras. O governo deve incluir na operação uma área vizinha ao reservatório de Libra para completar os 5 bilhões de barris que serão usados para o aumento de capital da União na estatal. A decisão de incluir uma terceira área ocorreu após governo e Petrobras cederem em suas avaliações sobre o petróleo existente nas reservas que serão usadas na capitalização, localizadas na bacia de Santos. Chegando a um número menor que os 5 bilhões de barris iniciais.
Por Hebert Hungria
hebert.hungria@nicomexnoticias.com.br







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