O ano de 2010 está quase no fim e o assunto que predomina no setor petrolífero nacional, com relação ao pré-sal, continua tendo o mesmo teor que norteou as discussões no decorrer dos 11 meses que já se passaram. Estados discutem royalties a serem recebidos, enquanto o novo marco regulatório ainda segue em pauta no Congresso. Para sacudir um pouco esse panorama e chamar a atenção das pessoas para a questão ambiental envolvida na exploração do pré-sal, o Greenpeace lançou, no último dia 25, um relatório intitulado ‘Mar, Petróleo e Biodiversidade – a Geografia do Conflito’.
Utilizando mapas que sobrepõem áreas prioritárias para a criação de Unidades de Conservação Marinhas e áreas onde a prospecção e a exploração de petróleo já acontecem, o Greenpeace criou um cenário que mostra onde estão os pontos de conflito entre as duas situações. O resultado é um atlas, dividido em regiões, demonstrando que 8,77% das áreas que deveriam ser protegidas já estão sofrendo por conta da exploração de óleo e gás. O estudo revela ainda que o Sudeste - onde se localiza o pré-sal - é a região que mais ameaça áreas prioritárias para conservação: 21% já tem campos em atividade ou blocos em fase de prospecção.
“Hoje a discussão está muito em cima da parcela de royalties que fica para os estados, de qual o nome da nova empresa que vai explorar esse pré-sal, qual será a forma, se será partilha ou concessão. Um ponto que está faltando nesse debate é de que maneira o meio ambiente será considerado nessa atividade”, explica a Coordenadora da Campanha de Oceanos do Greenpeace no Brasil, Leandra Gonçalves, em entrevista ao Nicomex Notícias. Ela afirma ainda que a pretensão da organização é que haja uma proposta para que se tenha uma ordenação do território marinho, frente à exploração dessa nova fronteira.
Leandra lembra que o pré-sal se encontra a profundidades de mais de 7 mil metros, o que configura uma situação ainda mais arriscada, em termos de acidentes, do que o desastre ambiental na plataforma Deepwater Horizon, da British Petroleum, que explodiu em abril, no Golfo do México. “Muitos países acabaram colocando moratória e algumas restrições após o vazamento no Golfo do México. Essa preparação é que não temos visto aqui, do governo brasileiro. Acho que está na hora de parar um pouco o investimento em trazer sondas e tecnologia. Temos primeiro que pensar na tecnologia de segurança que será utilizada para a exploração desse pré-sal”, alerta ela.
Ameaças
De acordo com a gerente do Greenpeace, os efeitos práticos da exploração do pré-sal para a biodiversidade marinha se dá em etapas. Na prospecção sísmica, as bombas de ar comprimido utilizadas pelas embarcações produzem ondas que permitem auferir a presença e o tipo de óleo na região. Entretanto, esse mecanismo causa distúrbios entre a comunicação de baleias e golfinhos, levando ao encalhe e inclusive à morte desses animais. Essa operação também pode afetar os estoques pesqueiros.
Já na fase de exploração e produção, se tem um aumento gigantesco do tráfego de embarcações, que pode causar o atropelamento de muitos animais marinhos, além da alteração do regime de correntes. Leandra explica ainda que a própria retirada de petróleo da camada pré-sal já gera emissão de gás carbônico. “Eu acho que o pré-sal é um esquema de Pedro Álvares Cabral dos tempos modernos. Uma ameça de exploração chegando à nossa costa” - ilustra ela.
Por Matheus Franco
matheus.f@nicomexnoticias.com.br
Fonte: NicomexNotícias
“Hoje a discussão está muito em cima da parcela de royalties que fica para os estados, de qual o nome da nova empresa que vai explorar esse pré-sal, qual será a forma, se será partilha ou concessão. Um ponto que está faltando nesse debate é de que maneira o meio ambiente será considerado nessa atividade”, explica a Coordenadora da Campanha de Oceanos do Greenpeace no Brasil, Leandra Gonçalves, em entrevista ao Nicomex Notícias. Ela afirma ainda que a pretensão da organização é que haja uma proposta para que se tenha uma ordenação do território marinho, frente à exploração dessa nova fronteira.
Leandra lembra que o pré-sal se encontra a profundidades de mais de 7 mil metros, o que configura uma situação ainda mais arriscada, em termos de acidentes, do que o desastre ambiental na plataforma Deepwater Horizon, da British Petroleum, que explodiu em abril, no Golfo do México. “Muitos países acabaram colocando moratória e algumas restrições após o vazamento no Golfo do México. Essa preparação é que não temos visto aqui, do governo brasileiro. Acho que está na hora de parar um pouco o investimento em trazer sondas e tecnologia. Temos primeiro que pensar na tecnologia de segurança que será utilizada para a exploração desse pré-sal”, alerta ela.
Ameaças
De acordo com a gerente do Greenpeace, os efeitos práticos da exploração do pré-sal para a biodiversidade marinha se dá em etapas. Na prospecção sísmica, as bombas de ar comprimido utilizadas pelas embarcações produzem ondas que permitem auferir a presença e o tipo de óleo na região. Entretanto, esse mecanismo causa distúrbios entre a comunicação de baleias e golfinhos, levando ao encalhe e inclusive à morte desses animais. Essa operação também pode afetar os estoques pesqueiros.
Já na fase de exploração e produção, se tem um aumento gigantesco do tráfego de embarcações, que pode causar o atropelamento de muitos animais marinhos, além da alteração do regime de correntes. Leandra explica ainda que a própria retirada de petróleo da camada pré-sal já gera emissão de gás carbônico. “Eu acho que o pré-sal é um esquema de Pedro Álvares Cabral dos tempos modernos. Uma ameça de exploração chegando à nossa costa” - ilustra ela.
Por Matheus Franco
matheus.f@nicomexnoticias.com.br
Fonte: NicomexNotícias








0 comentários:
Postar um comentário