Petrobras vai levantar US$ 40 bi para desenvolver áreas do pré-sal

A Petrobras planeja levantar até US$ 40 bilhões (R$ 67 bilhões) por meio da emissão de títulos de dívida, até 2014, como preparação para o desenvolvimento de seus reservatórios de petróleo na camada pré-sal, disse o presidente da companhia, José Sergio Gabrielli.

A meta, que se segue a uma emissão de US$ 6 bilhões em títulos duas semanas atrás -a maior na história empresarial brasileira-, elevaria consideravelmente o nível de endividamento da Petrobras, mas não a ponto de ameaçar a classificação de seus papéis no grau de investimento.

"Vamos precisar de entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões, entre agora e 2014, para financiar nossas necessidades de capital de investimento, caso o preço do barril do petróleo seja de US$ 80", disse Gabrielli, ontem, a jornalistas estrangeiros.

A emissão de títulos de dívida planejada significa que a Petrobras dominará o mercado brasileiro de dívida empresarial pelos próximos três ou quatro anos e se soma aos US$ 70 bilhões em ações emitidos no ano passado.

Os campos ajudarão a elevar a produção de petróleo do Brasil de cerca de 2 milhões de barris ao dia no momento a 4 milhões de barris diários em 2020, de acordo com Gabrielli.

Isso requereria uma ampliação da capacidade de refino de cerca de 2 milhões de barris diários para 3,1 milhões de barris diários em 2020, supondo um crescimento econômico anual da ordem de 4% a 5%.

Para ajudar a atingir essa meta, a Petrobras planeja investimentos de capital de US$ 224 bilhões até 2014, com a maior parte das verbas destinada à prospecção adicional e ao desenvolvimento dos campos no pré-sal.

Se o preço do petróleo for da ordem de US$ 80 por barril, a empresa poderia levantar US$ 155 bilhões do montante necessário com suas operações, disse Gabrielli.

A reserva de caixa da Petrobras é de US$ 25 bilhões a US$ 28 bilhões e deriva em larga medida da emissão de ações do ano passado e da emissão de títulos duas semanas atrás.

Os US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões adicionais necessários para cobrir a diferença serão levantados no mercado de títulos de dívida. Gabrielli afirmou que a Petrobras não planeja emitir novas ações.

Surgiu certa preocupação entre os investidores quanto à possibilidade de que essa imensa captação elevasse a relação entre dívida líquida e capital da Petrobras de forma a superar o limite interno de 35% estipulado pela companhia, o que poderia colocar em risco a classificação positiva de seus títulos.

Nos dois anos anteriores à oferta de ações, a relação entre dívida líquida e capital da empresa chegou aos 32%, mas recuou aos 18% assim que as novas ações foram colocadas. Gabrielli afirmou, no entanto, que o número ficará abaixo do limite de 35%.

Fonte: Folha de São Paulo/JOE LEAHY/DO "FINANCIAL TIMES",/NO RIO DE JANEIRO/Tradução de PAULO MIGLIACCI

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