O início da última semana para o setor de gás natural foi marcado por uma notícia internacional. Na terça-feira, dia 6, o ministro do Petróleo do Irã, Masoud Mirkazemi, anunciou a descoberta de dois campos de gás natural no país. Combinadas, as reservas das novas fontes somam cerca de 800 bilhões de metros cúbicos. "O campo de Forouz está localizado no Golfo Pérsico, próximo à ilha Kish, e tem 700 bilhões de metros cúbicos de reservas de gás", afirmou Mirkazemi, acrescentando que, quando ativado, ele poderá produzir cerca de 70 milhões de metros cúbicos de gás por dia. O ministro também disse que o segundo campo foi encontrado na província de Khorasan Razavi, no Nordeste do Irã, e tem 62,5 bilhões de metros cúbicos em reservas de gás, com capacidade de produção de 4 milhões de metros cúbicos por dia.
No dia seguinte, destaque para a o levantamento que aponta que o projeto de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) da Petrobras está entre os principais projetos de infraestrutura no mundo. O estudo da consultoria KPMG - serviço inglês sobre infraestrutura global e financiamento de projetos - relaciona os 100 projetos globais mais interessantes nessa área no mundo. O plano da Petrobras consiste em dois terminais de regaseificação de GNL, sendo um no Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará; e outro na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
Em ambos, o processo é realizado a bordo de navios: o Golar Spirit, no Terminal do Pecém, e o Golar Winter, no caso do segundo. Em operação desde janeiro do ano passado, os dois terminais têm capacidade para processar 21 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural. Uma das inovações do projeto GNL Petrobras é a transferência de gás natural liquefeito entre os navios - supridor e regaseificador - por meio de braços criogênicos, capazes de suportar temperatura de 162° C negativos. O potencial de replicação deste projeto globalmente foi a principal razão apontada pelos julgadores para incluí-lo nesta lista, divulgada no fim de junho deste ano, e que relaciona apenas um projeto por área da infraestrutura.
“A queima de gás se tornou um problema relevante nos últimos meses, por causa do crescimento da produção sem aumento correspondente no mercado consumidor”
Terminando a semana, a notícia de grande repercussão nos principais noticiários do país, foi a decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de estudar medidas para conter o desperdício de gás natural nas plataformas da Petrobras. Em reunião realizada no meio da semana, a direção da agência aprovou uma consulta pública para estabelecer novas regras na cobrança de participação especial sobre o gás queimado. A ideia é aumentar os custos da empresa com o combustível não vendido ao mercado consumidor. A queima de gás se tornou um problema relevante nos últimos meses, por causa do crescimento da produção sem aumento correspondente no mercado consumidor. Como a maior parte do gás brasileiro é extraída junto com o petróleo, a Petrobras é obrigada a produzir o combustível se quiser ampliar suas vendas de óleo.
Porém, como a estatal não tem mercado suficiente para vender gás, queima ou reinjeta o combustível nos poços - no ano passado, 11,92 milhões de metros cúbicos foram injetados, em média, por dia. Esse gás, contudo, pode ser reaproveitado no futuro. A ANP não comentou os objetivos da proposta de consulta pública, mas, segundo especialistas, o objetivo é forçar a Petrobras a fazer investimentos para vender ou reinjetar o excedente de gás. Parte dos volumes queimados já pagam participação especial - taxa cobrada sobre os grandes campos produtores -, mas a estatal tem usado um grande leque de justificativas previstas em lei para conseguir isenção da cobrança.
Por Beatriz Silva
beatriz.s@nicomexnoticias.com.br
No dia seguinte, destaque para a o levantamento que aponta que o projeto de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) da Petrobras está entre os principais projetos de infraestrutura no mundo. O estudo da consultoria KPMG - serviço inglês sobre infraestrutura global e financiamento de projetos - relaciona os 100 projetos globais mais interessantes nessa área no mundo. O plano da Petrobras consiste em dois terminais de regaseificação de GNL, sendo um no Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará; e outro na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
Em ambos, o processo é realizado a bordo de navios: o Golar Spirit, no Terminal do Pecém, e o Golar Winter, no caso do segundo. Em operação desde janeiro do ano passado, os dois terminais têm capacidade para processar 21 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural. Uma das inovações do projeto GNL Petrobras é a transferência de gás natural liquefeito entre os navios - supridor e regaseificador - por meio de braços criogênicos, capazes de suportar temperatura de 162° C negativos. O potencial de replicação deste projeto globalmente foi a principal razão apontada pelos julgadores para incluí-lo nesta lista, divulgada no fim de junho deste ano, e que relaciona apenas um projeto por área da infraestrutura.
“A queima de gás se tornou um problema relevante nos últimos meses, por causa do crescimento da produção sem aumento correspondente no mercado consumidor”
Terminando a semana, a notícia de grande repercussão nos principais noticiários do país, foi a decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de estudar medidas para conter o desperdício de gás natural nas plataformas da Petrobras. Em reunião realizada no meio da semana, a direção da agência aprovou uma consulta pública para estabelecer novas regras na cobrança de participação especial sobre o gás queimado. A ideia é aumentar os custos da empresa com o combustível não vendido ao mercado consumidor. A queima de gás se tornou um problema relevante nos últimos meses, por causa do crescimento da produção sem aumento correspondente no mercado consumidor. Como a maior parte do gás brasileiro é extraída junto com o petróleo, a Petrobras é obrigada a produzir o combustível se quiser ampliar suas vendas de óleo.
Porém, como a estatal não tem mercado suficiente para vender gás, queima ou reinjeta o combustível nos poços - no ano passado, 11,92 milhões de metros cúbicos foram injetados, em média, por dia. Esse gás, contudo, pode ser reaproveitado no futuro. A ANP não comentou os objetivos da proposta de consulta pública, mas, segundo especialistas, o objetivo é forçar a Petrobras a fazer investimentos para vender ou reinjetar o excedente de gás. Parte dos volumes queimados já pagam participação especial - taxa cobrada sobre os grandes campos produtores -, mas a estatal tem usado um grande leque de justificativas previstas em lei para conseguir isenção da cobrança.
Por Beatriz Silva
beatriz.s@nicomexnoticias.com.br








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